Mistério de Amor

Colaboração do seminarista José Carlos


Encarnacao de Nosso Senhor Jesus Cristo. É Natal do Senhor. Eis o mistério do Deus que se fazendo filho do homem, fez com que o homem se tornasse filho de Deus, pela cruz e pelo batismo. Ele veio habitar no meio de nós para nos trazer a salvação.

Depois de reconhecer o dogma da Trindade (Deus que é um só, em três Pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo), eis o segundo maior mistério de nossa fé.

Por isso que o nascimento do Senhor nunca é um fato isolado no conjunto de nossa fé: ela está numa essencial relação com a Páscoa (passagem da vida para a morte, e da morte para a ressurreição) do Senhor. Por isso que no tempo da Igreja, o Ano Litúrgico, a festa natalina é a solenidade mais importante depois da Páscoa. Isso é fácil de entender. Para que Jesus nasceu? Para nos salvar. E como nos salvou? Pelo sacrifício da cruz na sexta-feira santa. Logo, é a Páscoa o centro da liturgia, é a Semana Santa o momento cume da vida da Igreja, que relembra e revive os últimos momentos de Jesus e testemunha a sua vitória sobre a morte e a sua verdadeira e real Ressurreição entre nós.

No plano de Deus traçado antes mesmo do tempo ter um início, o Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, vem ao mundo, e assume a humanidade em seu corpo santo, e pelo poder do Espírito Santo nasce de uma virgem, numa noite fria de inverno, ao relento, deitado sobre uma manjedoura - que é o comedouro dos animais - dentro de uma estribaria (pois não permitiram sua entrada nas pousadas e nas casas, eram tão pobres que não tinham dinheiro para pagar algum quarto nas pousadas da pequena Belém, vizinha de Jerusalém, lugar de sua morte. Belém e Jerusalém partilham, assim, de um triste destino: são más anfitriãs na festa da vida de Deus no mundo.

O mundo também hoje parece tanto com Belém: tão abençoada, mas tão distraída; tão destruída pela falta de caridade, de acolher os pequeninos, os pobres famintos, sem teto, sem chão, sem pão, sem anel nos dedos, sem emprego, diplomas e títulos honorários. Tantos de nós ainda não compreendemos o preço de uma vida humana e, contraditoriamente, tentamos convencer a outros de que valemos muito, e somos melhores que qualquer um.

É por isso que hoje faz-se sumamente necessário reconhecer mais que um ser frágil, belo e amável naquele recém-nascido. Jesus não é só um bom homem, um homem santo, um herói, uma inspiração para boas ações humanas. Jesus Cristo, acima e antes de tudo é Deus. É nosso único e verdadeiro Deus, e pelo Natal, por sua Encarnação é homem verdadeiro: é o “Emanuel” é o Deus-conosco”, sofrendo as nossas dores e nos ensinando a sermos melhores seres humanos.

Comentários