Catequese e vida da Igreja - Entrevista com a irmã Elisabete

A Crisma é o sacramento em que o jovem confirma as promessas do batismo que um dia foram feitas por seus pais e padrinhos. A partir desse momento, é a própria pessoa quem decide ser cristão e católico. Por isso é considerado o sacramento da maturidade cristã.

Em 2009, Padre Josivan convidou as Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Sena para realizar a formação catequética dos jovens que pretendem reafirmar o batismo na Paróquia Bom Jesus do Arraial para viver a fé de maneira adulta e comprometida com a sociedade e com a Igreja. Nesta edição,conversamos com as irmã Elisabete sobre a crisma e a juventude.

HE- Qual a missão especifica da sua congregação e por que foi fundada?

Ir. Elisabete: Nossa missão acontece em lares de crianças, abrigos de idosos, hospitais, paróquias e colégios. Nossa congregação foi fundada no ano de 1874 pela Bem Aventurada Savina Petrili, para atender as necessidades daquela época e a mais urgente era a de crianças abandonadas. A nossa fundadora dizia que onde estivesse um irmão necessitado, ali era o lugar das irmãs dos pobres.

HE- Qual a importância da educação cristã no Brasil de hoje e como pode ser oferecida considerando a sociedade e as leis brasileiras que valorizam a diversidade?


Ir. Elisabete: Ciente de uma prática individualista e consumista das pessoas do mundo atual, a educação cristã tem um papel fundamental de transmitir os valores da vida de forma renovada. E como transmitir? Quando no sistema de evangelização o eixo central é Deus, o acolhimento e o testemunho da vida, tudo se torna mais flexível, as barreiras são destruídas, não existe separação entre religiões, culturas ou raças. O ensinamento é para todos.

HE- é possível traçar um perfil dos jovens que atualmente buscam a renovação do batismo mediante o sacramento da crisma?


Ir. Elisabete: Os jovens que hoje buscam o sacramento da crisma, são jovens que de uma forma ou de outra têm o desejo de mudança. São cientes de que a vida não é um oba-oba, mas que temos um Deus que nos ama e querem conhece-lo melhor. Influencia bastante, neste religioso, a formação familiar.

HE- Há quem diga que a juventude de hoje é menos idealista que a juventude das gerações passadas. O que pensa sobre isto?


Ir. Elisabete: Não concordo com a afirmação, pois acredito que podemos, sim, ter ideais diferentes. Talvez, devido a velocidade dos meios de comunicação que leva uma comunicação imediata com o mundo, desenvolve no jovem a tendência do imediatismo e talvez isso passe uma visão de falta de ideal. Mas o que eles precisam é solidificar suas potencialidades, a fim de que quando assumirem compromissos sérios possam ter a capacidade de irem até o fim.

HE- Quais os métodos mais apropriados para realizar, atualmente, o serviço catequético? Por quê?


Ir. Elisabete: métodos relacionados ao sociointeracionismo, porque o catequizando ou crismando já possui um conhecimento prévio dos conteúdos que serão abordados; assim, é importante que os encontros sejam realizados de tal forma que desperte nele o desejo de partilha, da busca do conhecimento mais profundo de Deus em um grupo na comunidade. Nesta prática, o método ‘ver, julgar e agir’, continua atual e renovado.

HE- Qual o papel da família nesse processo?


Ir. Elisabete: O papel da família é fundamental, são raros os casos em que o adolescente ou jovem inicia um compromisso mais exigente na Igreja sem o apoio da família. Ela é a base. Por isso é importante a presença da família não apenas nas reuniões de pais mas vez ou outra, para saber como está a caminhada do filho ou da filha e ao mesmo tempo partilhar sua percepção a respeito dele(a) em casa.

HE- Sobre o ANO CATEQUÉTICO lançado pela CNBB, como vê o significado deste projeto para o trabalho dos catequistas e o proveito para a Igreja?


Ir. Elisabete: O Ano Catequético por si, possui características positivas e atraentes: “Não nos ardia o coração quando Ele nos explicava as escrituras e repartia o pão?”. Acredito que temos de transmitir aos nossos catequistas este ardor missionário que ardia no coração dos discípulos. Para isso é necessário mergulhar fundo neste Amor Divino para transmiti-lo ao outro sem temer os desafios. A partir deste princípio missionário, a Igreja só tem a ganhar, pois teremos a capacidade de trair mais pessoas com uma formação mais fecunda e amante do Reino.

Agradecemos a entrevista!

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