quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Feiura do Preconceito

Por Anselmo Cabral

Qualquer pessoa que se considera cristã conhece, ou deve conhecer, o maior mandamento, aquele no qual Jesus concentrou toda a sabedoria das escrituras: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo’. É importante pensar sempre sobre este aspecto da Palavra sobre o qual deveremos um dia ser julgados: a lei do amor. Em nossa vida cristã, corremos o risco de ouvir várias vezes a Palavra de Deus a ponto de nos acostumarmos tanto a ela sem deixar que ela nos inquiete, nos incomode, nos leve a uma reflexão verdadeira e pessoal.

Amar ao próximo como a si mesmo, significa usar com as outras pessoas a mesma misericórdia que usamos com nossas próprias fraquezas e procurar olhar os irmãos e irmãs com olhar de bondade e misericórdia, como Jesus olha para todos nós.

É curioso como, em não poucas situações, percebemos que nos confessamos cristãos, seguidores e imitadores do meigo e santo Jesus, que procura compreender, amar e perdoar, mas nem sempre nossa prática está basicamente comprometida com a postura do nosso Mestre. Quantas vezes nos deixamos contagiar com a tentação de julgar as pessoas e de tratá-las não como Jesus quer que nos tratemos (com amor e fraternidade), e sequer nos aproximamos delas, ou se o fazemos, já nos achegamos usando os óculos com a lente do preconceito, vendo o irmão ou a irmã com a visão distorcida por um conjunto de “valores” que nos impede de ver a pessoa como ela de fato é: santa e pecadora,como eu e você também somos.

O preconceito e, pior ainda, a discriminação, não nos faz melhores que os outros. Pelo contrário, trata-se de um contra-testemunho de nossa própria fé, já que quando geramos a discórdia, estamos certamente quebrando a unidade, destruindo a comunhão e realizando um contra-serviço à causa do Reino. Já vi pessoas em situações de necessidade, precisando de ajuda, de carinho, de força, de amizade e de solidariedade, pessoas em momentos de dificuldade na vida ficarem praticamente sozinhas e tendo o peso do seu sofrimento aumentado pela solidão, porque outros, ditos e tidos como cristãos, se afastaram delas para não serem vistos a seu lado e assim terem sua dignidade abalada. Mas também já vi gente corajosa, gente que chegou perto, que abraçou, que viu no outro o Cristo sofredor e se aproximou para ajudar mesmo que com isso pudesse também ser alvo de críticas. Jesus fez e ainda faria a mesma coisa.
Em nossa vida de cristãos, devemos ser como bons samaritanos. Aqueles que mais sofrem pelo preconceito são os que mais precisam de nós (que queremos ser presença de Cristo no mundo).

Cristãos, que somos, devemos lembrar que o coração de Jesus realizou os atos mais bonitos justamente com aqueles a quem a sociedade de seu tempo já tinha julgado e condenado. Não fazer como Jesus fez pode nos afastar da prática cristã e nos revelar, ao contrário, meros fariseus.

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