A Páscoa de Jesus e o nosso compromisso com a vida

Por: Anselmo Cabral (Professor e Ministro da Comunhão Eucarística e da Palavra)
A nossa fé cristã está baseada no seguimento da pessoa de Jesus Cristo. Seguimento e devoção são as palavras que nos definem com relação àquele que chamamos de Senhor e de Mestre. E assim o chamamos porque Ele nos ensinou a aprendermos com os seus exemplos a nossa maneira de viver. De saída, algo que chama a atenção na personalidade de Jesus é a sua fidelidade ao Pai. Jesus, nos Evangelhos, demonstrou o valor da oração, do silêncio e da escuta da vontade de Deus. Ele nos ensina a sabedoria da contemplação, para não agirmos de acordo com nossos ímpetos e vontades, mas buscarmos no coração qual a vontade de Deus para as nossas ações.

Cometeríamos um engano, entretanto, se seguíssemos a Jesus na nossa condição de leigos comprometidos apenas no seu aspecto puramente orante e contemplativo. O mundo espera de nós um testemunho que envolve a imitação do Mestre na sua vida ativa. A Igreja nos coloca todo o tempo, através de seus documentos, projetos e campanhas diante da necessidade que o mundo tem de que nós, os cristãos, apresentemos com as nossas vidas o testemunho vivo de um Deus que nos deu a sua própria vida, seu corpo e seu sangue, e nos fez sentir o seu amor para que o colocássemos a disposição uns dos outros.

Seguir Jesus de forma ativa significa experimentar o serviço de Deus na contemplação para discernir o querer de Pai e na atividade, descruzando os braços e desdobrando-nos em coragem para identificar onde, quando, com quem e de que modos podemos fazer algo de concreto para melhorar o mundo e a vida das pessoas de uma forma real.

O cristão de hoje não pode sê-lo por completo sem assumir a sua responsabilidade cidadã. O acompanhamento das questões políticas, a preocupação com o meio ambiente, a discussão e a tomada de atitudes com relação ao planeta, etc. são características do cristão que percebe que o mundo moderno tem urgências modernas e que Deus não está alheio às demandas do tempo presente.

Jesus veio para dar a vida em abundância, ressuscitou e estará conosco até o fim dos tempos mas nos deixou uma palavra que ao mesmo tempo nos alegra e nos compromete: “Lhes dei o exemplo, para que vocês façam o que Eu fiz”. O nosso compromisso com Jesus é o compromisso que devemos ter com a vida. Enquanto cristãos, não podemos fingir que não vemos nem ouvimos os clamores e as lutas da sociedade em todas as esferas sociais, culturais, políticas e econômicas. Isto nos provam, por exemplo, as inúmeras campanhas da fraternidade da CNBB.

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