sábado, 5 de junho de 2010

Igrejas na luta contra o crack


A s Igrejas Católica e a Evangélica vão se aliar ao estado para prevenir, acolher e ajudar a reinserir os usuários do crack na sociedade. O apoio dos religiosos ao programa estadual de enfrentamento da droga, lançado na semana passada, se dará por meio de instituições ligadas às igrejas, mas sem fins lucrativos. Os recursos disponíveis giram em torno de R$ 13 milhões, dentro dos R$ 55 milhões previstos para serem investidos pelo estado em ações emergenciais de combate à expansão da drogra no território pernambucano.A Secretaria de Desenvolvimento Social terminou, ontem, no Seminário Presbiteriano, localizado no bairro da Madalena, uma série de visitas que vinha fazendo às principais igrejas cristãs do estado.Num trabalho silencioso que realizava desde o mês passado, o governo conseguiu fechar o apoio ao plano com um dos segmentos mais influentes da sociedade.

A participação das igrejas ainda está sendo desenhada, mas já está tomando forma. O primeiro passo será um levantamento de todas as instituições que podem receber ajuda financeira do estado para trabalhar com o usuário de drogas. A inscrição na Rede Estadual de Enfrentamento ao Crack já pode ser feita por meio do endereço eletrônico www.sigas.pe.gov.br. Lá existe um formulário no qual se pode apresentar sugestões e dizer como quer participar. As melhores propostas serão escolhidas minuciosamente. O trabalho junto às igrejas foi feito pelo secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Roldão Joaquim, e pelo secretário executivo da mesma pasta, Acácio Carvalho.
 
A problemática foi discutida com as principais denominações da igreja evangélica (Assembleia de Deus, Batista e Presbiteriana), com as dioceses católicas do interior e com o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido. As sugestões foram colhidas em cada encontro e o debate está bem avançado. Segundo Acácio, as igrejas podem se integrar nas três frentes do plano contra o crack lançado na semana passada: prevenção, acolhimento e proteção, além de inclusão social.

A articulação junto às igrejas cristãs chegou a público ontem, embora já tivesse sido anunciada pelo governador Eduardo Campos (PSB) que convidou toda a sociedade a participar do plano. O secretário Acácio Carvalho considera de fundamental importância o envolvimento das entidades religiosas, porque estão diretamente ligadas às comunidades mais carentes da sociedade, onde o vício do crack tem se ramificado com mais frequência. Segundo Acácio, a fiscalização dos recursos não será problema porque já existe uma estrutura montada no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Ele funciona em 12 regiões e controla os 600 convênios de assistência social assinados com a secretaria.

"Estimamos que esse número de convênios aumente para uns 650 ou pouco mais. Roldão Joaquim já fez contato com as dioceses do interior, com Dom Fernando Saburido, e com as principais igrejas evangélicas", contou secretário executivo. Acácio Carvalho disse, ainda, que a capacitação dos voluntários religiosos e de todos os demais segmentos da sociedade começa a partir de julho. Antes disso, contudo, todos os inscritos na rede estadual de enfrentamento ao crack (incluindo padres e pastores) devem participar de um seminário sobre o assunto ainda neste mês. De acordo com o coordenador jurídico da Secretaria de Desenvolvimento Social e membro do conselho de combate às drogas, José Edson Barbosa, as igrejas têm autoridade moral e espiritual para entrar nesse enfrentamento, no sentido de orientar os fieis e chegar junto às comunidades carentes para identificar o problema.

"Todos aqueles que têm influência efetiva junto às famílias devem entrar nessa luta", afirmou, num discurso para cerca de 15 reverendos da Igreja Presbiteriana. Só esta denominação, por exemplo, existem cerca de 200 templos.

O papel da Igreja

Por meio do endereço www.sigas.pe.gov.br, qualquer instituição sem fins lucrativos ligada à igreja pode se inscrever na Rede Estadual de Enfrentamento ao crack. Para isso, é preciso preencher o formulário, apresentar sugestões e dizer como quer participar.

A Secretaria de Assistência Social pretende capacitar 20 mil pessoas a partir de julho, além de 18 mil entre os agentes de saúde. Os voluntários das igrejas cristãs estão incluídos no primeiro grupo para ajudar a aplicar o protocolo do crack em 1 milhão de famílias.

As igrejas foram convidadas a participar de todas as etapas do plano de enfrentamento ao crack: prevenção social; acolhida e proteção; e criação de Centros de Atendimento de Usuários de Drogas, especialmente CAUD I (ambulatório) e CAUD II (abrigamento).
Os 31 Centros de Referência Regionais de Acolhimento a Usuários de Crack (CRAS) terão cadastros das famílias que enfrentam problemas com a droga. Os voluntários das igrejas capacitados terão acesso aos dados para dar apoio espiritual e social a essas famílias
Cada CRAS terá três consultórios de rua vinculados, que funcionarão em 48 vans. Os consultórios de rua terão três funcionários, dois de nível superior e um de nível médio. A Igreja pode dar suporte a esses consultórios de rua.

As instituições ligadas às igrejas podem inscrever projetos para receber confinanciamento, por meio de convênio direto, para implantar Centros de Atendimento de Usuários de Drogas (Caud I) e (Caud II). Ainda há discussão de entidades ligadas à igreja podem ser confinanciadas na criação do Caud C (crack).

Ainda nesse mês de junho, vai haver um seminário convidando todos os integrantes da rede de enfrentamento ao crack, inclusive os religiosos.

Na última etapa, a reintegração do usuário de crack, a igreja poderá participar de dois projetos de inclusão social, cedendo espaços para cursos profissionalizantes


Fonte: Diario de Pernambuco

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