Passagem da Cruz Peregrina e ícone de Nossa Senhora na Arquidiocese


Passagem da Cruz Peregrina e ícone de Nossa Senhora, em preparação para a 27ª JMJ, no Rio de Janeiro 


Recife, 16 de janeiro de 2012
Caríssimos jovens, de idade e de coração, meus irmãos e irmãs,

Esses dias são muito especiais para nossa Arquidiocese. Temos o privilégio de acolher a cruz e o ícone de Nossa Senhora da Visitação, neste período de preparação para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Durante quatro dias, estes símbolos peregrinarão por nossos cinco vicariatos territoriais, promovendo encontro, reflexão e compromisso com a fé.

Esta cruz foi entregue pelo Papa João Paulo II, em 1984, aos jovens do Centro da Juventude São Lourenço, em Roma, por ocasião do encerramento do ano Santo da Redenção, cujo Lema era: “Abri as portas ao Redentor”. Assim falou o Papa naquela ocasião: “Meus queridos jovens, ao concluir este Ano Santo, confio-vos o símbolo deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a pelo mundo afora como símbolo do amor de Cristo pela humanidade e anunciai a todos que só na morte e ressurreição de Cristo é que poderemos encontrar salvação e redenção”. A cruz ficou conhecida por diversos nomes: Cruz do Ano Santo, Cruz do Jubileu, Cruz da JMJ, Cruz Peregrina e Cruz dos Jovens. Em 2003, o mesmo Santo Padre, faz a entrega do ícone de Nossa Senhora para acompanhar a cruz e recordar aos jovens que, onde está o Filho também está a mãe. A mãe de Jesus e nossa, ela que assumiu essa missão exatamente aos pés da cruz. É, portanto, com consciência missionária que recebemos os símbolos, obedientes às palavras do Papa da juventude.

A cruz representa a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo que por nós deu sua vida por amor. Lembra-nos que “Deus tanto amou o mundo que nos deu seu Filho único”( Jo 3,16). Experimentar e vivenciar o amor de Deus em nossas vidas é certeza de que estamos no rumo certo. No momento do nosso batismo, quando recebemos o dom da fé, fomos marcados com o sinal da cruz e, várias vezes, durante o dia, traçamos o sinal da cruz sobre nossas frontes, bocas e corações, na intenção de orientar todos os nossos pensamentos, palavras e ações a serviço do Senhor. A cruz nos acompanha sempre e nos faz entender que, acolhendo-a com amor encontraremos o caminho da vitória e sairemos amadurecidos, diante de cada obstáculo superado.

Durante sua vida pública, Jesus, conforme os evangelhos sinóticos, predisse por três vezes, sua morte na cruz e sua ressurreição, e também no Evangelho de São João quando afirmou: “como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3,14). Nem sempre, porém, foi bem entendido o sentido da cruz. A tríplice condição para ser discípulo, apresentada por Jesus: “renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo”, certamente chocou e continua chocando a muitos. Os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos do mundo. O convite é para que estejamos atentos a tantas pessoas que carregam pelo mundo afora uma pesada cruz. Sejamos sirineus, e com estes dividamos o peso da cruz. Sejamos também Verônicas, capazes de afagar os que sofrem com gestos de amor e solidariedade. Imitemos Maria, o apóstolo João e as santas mulheres que permaneceram firmes aos pés da cruz, partilhando toda dor e sofrimento até o grito final: “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!” (Lc 23,46). Prezados jovens, permaneçam no amor de Cristo! A Igreja, que nasceu no calvário, necessita de profetas, verdadeiramente comprometidos com a Palavra de Deus. Necessita de homens e mulheres corajosos que a anunciem e vivenciem com amor, no propósito de renovar e transformar.

O documento da CNBB “Evangelização da Juventude” fala de alguns dos principais problemas com os quais se deparam, hoje, os jovens brasileiros/as: “a disparidade de renda; o acesso restrito à educação de qualidade e frágeis condições para a permanência nos sistemas escolares; o desemprego e a inserção no mercado de trabalho; a falta de qualificação para o mundo do trabalho; o envolvimento com drogas; a banalização da sexualidade; a gravidez na adolescência; a AIDS; a violência no campo e na cidade; a intensa migração; as mortes por causas externas (homicídios, acidentes de trânsito e suicídio); o limitado acesse às atividades esportivas, lúdicas, culturais e a exclusão digital”. E conclui: “O impacto da pobreza, em uma sociedade que sacraliza o consumo e relativiza os valores atinge a família, o primeiro lugar de socialização do jovem. Essa situação deixa fortes cicatrizes emocionais na personalidade de muitos jovens em um momento crítico de suas vidas”.

O nosso querido Papa Bento XVI já nos deu o Lema da próxima jornada Mundial da Juventude: “Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos” (Mt 28,19). Tendo diante dos olhos os desafios citados no doc. 85 da CNBB e o Lema escolhido pelo Sumo Pontífice, precisamos responder como o jovem Samuel, orientado pelo sacerdote Eli, conforme meditamos na Missa de ontem: “Senhor, fala que o teu servo escuta!” (1Sm 3,9b). Lembremo-nos que a missão deverá estar sempre vincula à vida de oração, à intimidade com Deus. “O nosso falar de Deus depende do nosso falar com Deus”, não esqueçamos esta verdade.

O Lema da 27ª JMJ são as últimas palavras do Evangelho de São Mateus. Palavras dirigidas aos onze apóstolos reunidos na Galileia, no monte indicado por Jesus. Depois de ressuscitado, Jesus volta para o Pai e envia os discípulos em missão. Que cada um de nós, especialmente os jovens, sinta-se incluído entre os onze, enviado para evangelizar, com sua maneira de ser descontraída e fazendo uso da linguagem e metodologia próprias da idade. Que a Palavra de Deus seja a luz a iluminar toda a situação de trevas em que se encontra a nossa juventude, ajudando a superar os medos e crescer na confiança em Deus. Nossa Senhora, a “Estrela da Evangelização”, estará ao nosso lado dando-nos força e coragem para viver nosso carisma missionário a serviço do Reino. Ela esteve todo o tempo ao lado dos apóstolos e estará ao lado de todos nós, ensinando: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5b).

Que estes símbolos, que ao longos desses anos de peregrinação, foram tocados por multidões de jovens e adultos de tantas nacionalidades, culturas, línguas e raças, sejam expressão da presença, no meio de nós, do próprio Jesus Cristo e sua Mãe Maria. Eles vêem para permanecer em nossos corações e em nossas vidas.

A Igreja precisa de jovens missionários: Jovens evangelizando jovens!
Com criatividade e coragem profética, caminhemos na fraternidade, no amor e na paz!

Bote Fé em nossa juventude!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Dom Antônio Fernando Saburido, OSBArcebispo de Olinda e Recife 

Comentários